Ermida de Nossa Senhora da Granja

NOTA ARTÍSTICA

Atendendo aos achados arqueológicos que surgiram neste local, podemos referir que a ermida de Nossa Senhora da Granja, foi construída sobre um templo romano, visto os diversos achados realizados em torno da edificação e também por terem sido detetadas algumas pedras com inscrições incorporadas nas paredes da atual capela.

Com um esquema longitudinal, composto por uma nave e capela-mor, o edifício revela-nos a sua raiz medieval, embora seja possível detetar uma campanha de obras executada século XVI. A capela-mor é coberta por a sua abóbada de cinco chaves e nervuras de terceletes. As chaves dos terceletes são decoradas com motivos vegetalistas e a chave polar ostenta a heráldica dos Melo.

Deste logo, a presença desta heráldica, remete-nos para uma construção que possivelmente se baliza entre de 1510-1525, tendo como encomendador a figura de Rui de Melo, fidalgo da casa do rei, que, em 1515, era comendador de Proença, conforme revela o documento da Chancelaria de D. Manuel (recorde-se que, em 1505, o comendador de Proença é o frei Carlos Henriques, também ele fidalgo da casa do rei).

Atualmente o edifício encontra-se praticamente desprovido do seu espólio, subsistindo somente parte da retabular.

Séc. XVI

Autor: s/n

NOTA HISTÓRICA

A ermida de Nossa Senhora da Granja é parte integrante da localidade de Proença a Velha. A localidade e um vasto território, em 1165, foi doada por D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários, onde Proença se encontrava incluída. Já no século seguinte, é concedido a carta de foral por Pedro Alvites, Mestre da Ordem do Templo, acto que é renovado, em 1510, pelo novo foral atribuído por D. Manuel I.

A primeira referência documental a este edifício acontece em 1505, no Tombo da Comenda de Proença a Velha, onde é referido que a Comenda (devemos entender a Ordem porque era um verdadeiro terra-tenente) detinha uma granja com o nome Santa Maria do Mosteiro, onde existia a ermida em causa.

Em 1758, o edifício continua a pertencer à Ordem de Cristo e detinha de uma irmandade dedica a Nossa Senhora da Granja.

Referências Bibliográficas:

COSTA, P. António Carvalho da, Corografia Portugueza…, 2.ª ed., tomo II, Braga, 1868 [1.ª ed. de 1712];

GONÇALVES, Iria, #Proença a Velha, inícios do século XVI: os bens e os direitos de uma Comenda da Ordem de Cristo na Beira Interior”. Ordens Militares: guerra, religião, poder e cultura– actas do III Encontro sobre Ordens Militares. Palmela: Colibri – Câmara Municipal de Palmela,1999, Vol. II, p. 29-4

GONÇALVES, Iria (coord.), Tombos da Ordem de Cristo, Comendas da Beira Interior Sul (1505), vol. V, Lisboa: Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 2009.

HORMIGO, José Joaquim M., Visitações da Ordem de Cristo em 1505 e 1537, Amadora, 1981.

MENDONÇA, Manuela, Proença-a-Velha. Uma Povoação com História. Edições Colibri, 2000.

Referências Documentais:

ANTT, OC/CT, Liv. 304, fls 62-74v

ANTT, Chancelaria de D.. Manuel I, Lv. 11, fl. 132