Castelo

NOTA ARTÍSTICA

O castelo medieval de Penha Garcia, hoje, não é mais que um conjunto de pequenas de estruturas que permitem vislumbrar o imaginário do que foi esta fortificação. Na realidade, pouco resta da representação gráfica de Duarte d’ Armas, onde o castelo Penha Garcia emerge sobre fraga sobre huua serra mujto alta que se chama serra do remilo, o que torna bastante singular a construção.

Acedido por uma escadaria, o castelo apresenta construções de distintas cronologias, desde o século XIV até |às reconstruções levadas a cabo, em meados do século XX, pela DGEMN, visto o que restava nesse período do castelo estava em amplo estado de ruína.

Apesar da ampla descaracterização, a fortificação que se adaptou as circunstâncias geográficas, lançando muralhas entre fragas, o que permite apresentar uma configuração atípica – quando comparado com outras estruturas –, onde sobressai, através do que resta do perímetro muralhado (a norte, sobre o Ponsul “conservam-se” as muralhas do circuito exterior), uma configuração irregular.

Na parte superior, dentro de uma estrutura regular, desenvolve a zona dos aposentamentos térreos, um pátio, e a menagem (torre) sextavada – estrutura similar à estrutura sextavada albicastrense -, colocado sobre o flanco do espaço muralhado.

Data: séc. XIV/XVI

Autor: N/s

NOTA HISTÓRICA

Na Serra Penha Garcia, junto ao vale do rio Ponsul, com uma panorâmica sobre um vasto território da raia beirã foi edificado o castelo. A história desta estrutura, confunde-se com a história da nacionalidade e com o processo de reconquista. Em 1220, D. Afonso II, lançou uma ofensiva sobre este território fronteiriço e sobre esta estrutura defensiva, acabando por conquistar, às hostes muçulmanas a fortificação. De modo a preservar o território, o castelo foi doado à milícia de Santiago, tendo estes a responsabilidade de restabelecerem a estrutura e promoverem o repovoamento.

Porém, as determinações não foram cumpridas, por esse facto, devido ao valor estratégico que esta fortificação, sobretudo face ao Erges, D. Dinis acaba, em 1303 doar este espaço à Ordem do Templo, em 1303 e com a extinção dos templários, a estrutura acabou por transitar para as mãos da Ordem de Cristo, em 1319.

Nesse período as muralhas estavam dispostas por várias cercas que acompanham a colina rochosa, tendo na plataforma superior a Torre de Menagem, com forma hexagonal irregular, anexada às muralhas que da primeira cerca quadrada. Esta cerca com várias dependências e também são distribuídas nos pequenos recintos amuralhados como duas cisternas e celeiro. A casa do Comendador situa-se no topo da colina com era norma em diálogo com a Torre de Menagem: tem ha dicta comenda huu castelo que estaa em huua fraga sobre huua serra mujto alta que se chama serra do remilo…E mais açima estaa há entrada da fortaleza com huu portal…. E logo huu terreiro mujto pequeno, e aa mãao direita delle estaa huua torre de menagem pequena”.

No séc. XVI reforça-se esta fortaleza, apresentando a última cerca um cubelo circular com bombardeiras e troneiras. Na Restauração, esta plataforma é ocupada por instalações militares que albergava uma guarnição e foram construídos pequenos baluartes. A vila implanta-se na parte baixa onde se situa a igreja, cujas casas cresceram em torno deste edifício religioso.  As ruínas da primeira cerca foram intervencionadas e a sua acessibilidade faz-se através de uma escadaria.

No Tombo da Comenda de Penha Garcia (1505), ao castelo de Penha Garcia é descrito da seguinte forma: “huu castelo que estaa em huua fragan sobre huua serra mujto alta que se chama ha serra do remilo [Ramiro]. e he nesta maneira. Da banda do sul tem huua çerca baixa de pedra e barro ameada com huu portal e suas portas e chega de huua ponta da fraga atee ha outra em rodendo quanto he desta banda do sul. e no canto della contra o ponente se faz ora huu cubello de pedra e barro rebocado com cal e suas bonbardeiras a qual çerca faz dentro huu terreiro. e nelle estaa huua casa de estrebaria que leua sete uaras de longo e quatro de largo. e tem huu repartimento que serue de palheiro. quatro uaras e meya de longo e quatro de largo. has paredes de pedra e barro e cubertas de cortiça e madeirada de carualho. sobindo logo mais acima vay outra tal çerca porem pequena e do meesmo theor com seu portal sem portas. e tem huu forno a huu canto. E logo mais açima tem outra entrada com seu portal e portas. e junto do dito portal aa mãoo seestra tem huua casa terrea soalhada sobre traues. has paredes de pedra e barro rebocadas de cal forrada de boom oliuel de castanho sobre has asnas e cuberta de telha. esta casa serue de çeleiro e tem has quinas reaaes em huua pedra sobre ha porta. E logo mais çcima vay outra entrada de parede de pedra e barro e com seu portal sem portas contra ho norte. E mais açima estaa ha entrada da fortaleza com huu portal e Roijns portas. e logo huu terreiro mujto pequeno e aa mãoo direita dele. estaa huua torre de menagem pequena. has paredes de pedra e barro rebocadas de cal e leua de longo duas varas e meya e duas de largo. ha altura sua seraa uma lanca d armas pouco mais e tem dous sobrados. e tem huua çerca pequena de boom muro ameada. has paredes de pedra e barro rebocadas de cal com huu peitoril da parte de dentro. sobre duas casas que hi uam dentro e seu andaimo que anda duas partes do muro. a saber. ao leuante e sul e ha torre estaa ao ponente. e da parte do aguiam vay huua grande fraga e mujto jngreme aa marauilha. huua das ditas casas que assi estam dentro na dita cerca. serue de cozinha, e leua çinquo uaras de longo e iiij de largo. e ha outra serue de despensa e leua seis uaras de longo e çinquo e meya de largo. has paredes de pedra e barro e barradas per çima sobre Ripas grossas e bastas e madeiradas de carualho e cubertas de nouo de telha. pello pee da dita rrocha da parte do aguiam. vay ho Rio de ponssul que hi naçe mui açerca e das bandas do leuante e ponente tem grandes penedias que som no cume da dita serra. e contra ho sul estaa ha egreia da dita Villa (…)”.

Referências Bibliográficas:

ANTUNES, A. Pires, “Penha Garcia na Ordem de Cristo”. Separata dos Subsídios para a História Regional da Beira – Baixa. Lisboa: 195o.

ARMAS, Duarte de – Livro das Fortalezas. Fac-simile do MS. 159 da Casa Forte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Lisboa: Patrocínio da Academia Portuguesa de História; edições Inapa, 1997;

BARROCA, Mário Jorge, “Aspectos da Evolução da Arquitectura Militar da Beira Interior”. Beira Interior – História e Património. Guarda: 2000.

GOMES, Rita Costa, Castelos da Raia. Beira. Lisboa: IPPAR, 1997.

GONÇALVES, Iria (coord.), Tombos da Ordem de Cristo. Comendas Sul do Tejo. Lisboa: Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 2009.

LOBO, Ernesto Pinto e Lucas, Francisco António d’Ordaz Caldeira, Subsídios para a História e conhecimento de Penha Garcia. Castelo Branco: 1972.

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=8482

Referências Documentais:

ANTT, OC/CT, liv. 304, fls 91v -98