Igreja Matriz de São Pedro

NOTA ARTÍSTICA

O atual templo de Pedrogão de São Pedro, é obra essencialmente seiscentista, embora na sua constituição formal se denotem elementos de períodos distintos, inclusivamente da primitiva estrutura.

A sua arquitetura, de contornos regionais, composta por uma única nave, capela-mor e anexa, do lado do Evangelho, a sacristia. É obra vernácula e chã, onde a ornamentação é praticamente inexistente.

A fachada principal é constituída de cantaria granítica, onde o aparelho é pintado, marcando assim ritmicamente a sobriedade da estrutura. O portal, com pequenas impostas salientes, é constituído por um arco de volta perfeita. Sobre o eixo do vão rasga-se um óculo que se abre para o coro alto (a configuração deste óculo não deixa de ser uma reminiscência da primitiva estrutura). A encimar a fachada, encontramos a iconografia de São Pedro, ou seja, a representação das chaves e da tiara papal.

Na fachada lateral, do lado da epístola, é rebocada e não ostenta mais que um vão retilíneo, encimado por um frontão triangular, e uma fenestração que se abre para a capela-mor. Simetricamente, a fachada lateral do lado do Evangelho detém a mesma configuração.

O interior de nave única, é provida de coro alto em madeira, sob este, do lado do Evangelho encontramos pia batismal em granito e na parede adjacente, embutido na parede, um porta-óleos, composta de pilastra lavradas e que ladeiam um arco de contornos também clássicos, encimado por duas cabeças aladas. Sobre o entablamento, um conjunto de lentos ornamentais encimado por um lanternim. Todos estes elementos sugerem que estamos perante uma obra de meados do século XVI, onde o gosto dos grutescos que ainda são visíveis e o modelo da estrutura superior, sugerem ser uma obra que recorre a uma das multiplicas oficinas de Coimbra para compor este modelo. Por outro lado, é possível equacionar se esta estrutura não terá sido um antigo sacrário e posteriormente colocado neste espaço.

O púlpito, com guarda lavrada oitocentista e sem dossel, é acedido por intermédio do anexo que dá para a sacristia. Na nave dispõem-se duas capelas com os seus respetivos retábulos em talha barroca de estilo nacional. O retábulo do lado Epístola é dedicado ao Calvário, composto por figura de vulto de Cristo na cruz (século XVII) e no nicho do retábulo uma representação pictórica com a representação da Virgem e São João, pintura que denuncia uma mão regional. No lado contrário, o retábulo de dedicado São Miguel, ou das Almas como refere a memória paroquial, com escultura e pintura alusivo ao tema.

Tem ainda a nave, a ladear o arco triunfal retábulos colaterais oitocentistas. Do mesmo valor, é o retábulo da capela-mor. São retábulos de estrutura arquitetónica composto por colunas de fuste canelado e capitéis compósitos que delimitam o espaço destinado ao nicho, como acontece nos retábulos colaterais. Já o retábulo da capela-mor é constituído por colunas duplas que delimitam um corpo tripartido, o espaço central, abre-se o nicho onde se dispõe o trono. Já os corpos laterais, sem nicho sobressaem mísulas onde se dispõe escultura.

Séc. XVI/XVII/XVIII

Autor: S/n

NOTA HISTÓRICA

São poucos os dados documentais referentes a esta paróquia de Penamacor que permitam construir uma linha de tempo continua e articulada.

A primeira informação surge-nos no final do século XIV, por intermédio do intitulado Tombo da Comarca da Beira, de 1395. O documento dá um conhecimento dos diversos bens e respetivos direitos que a Coroa detém em diversas localidades da região. No que diz respeito ao Pedrogão (de designação de Pedrogão de São Pedro é instituída tardiamente), há um apontamento referente a uma portagem e uma herdade situada no lugar de Pedroga, mas também é referido que se encontrava anexa a Penamacor. Essa ligação mantêm-se até tardiamente, inclusivamente a Corografia Portugueza, refere esse facto e acresce o dado de que a localidade e a igreja de Pedrogão era curado annexo à Igreja de S. Pedro de Penamacor e por esta última por ser da Ordem de Cristo, engloba no seu património a paroquia de Pedrogão.

No início do século XVII, a igreja foi reedificada. Essa intervenção encontra-se atestada pela data de 1615 que o lavabo apresenta. Contudo, este edifício não foi uma construção de raiz, mas sim uma requalificação da primitiva igreja ou capela, onde se incorporou dois elementos. Essas duas peças encontram-se sob o coro alto, do lado do Evangelho, trata-se da pia batismal, em granito, e de um armário, em pedra e embutido na parede para guardar os santos óleos.

Já no século XVIII, a informação que detemos é proveniente das memórias paroquiais. Segundo o auto a igreja tem como orago S. pedro ttem sinco altares o do santo sacramento o de nossa Senhora do Rosario o dás almas o de Senhor Crucificado o do Sto nome de Deos.  Diz mais o cura, Manuel dos Santos Leitão, que a igreja não padeceo pella bondade de Deus este lugar ruina alguma no terramoto do anno de 1755.

Referências Bibliográficas:

Correia, Ana Maria Oliveira, Bemposta : uma aldeia esquecida no tempo…. [S.l. : s.n.], 2001.

COSTA, P. António Carvalho da, Corografia Portugueza… 2.ª ed. Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouveia, 1868, tomo II;

FREIRE, Anselmo Bramcammp, “Tombo da Comarca da Beira”, Arquivo Histórico Português, Vol. X, Lisboa: Typ. Calçada do Cabra, 1916

HENRIQUES, Helder Manuel Guerra, Pedrógão De S. Pedro. História, Tradição E Arte, Lisboa, Edições Colibri, 2008

LANDEIRO, José Manuel, O arciprestado de Penamacor. Vila Nova de Famalicão: s.n., 1940.

VICENTE, Maria da Graça Antunes Silvestre, Entre Zêzere e Tejo Propriedade e Povoamento (séculos XII-XIV). Volume I, 292p., tese de doutoramento em História
Medieval, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2013

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=16720

Referências Documentais:

 ANTT, Memórias paroquiais, vol. 28, nº 104, p. 669 a 672