Igreja Paroquial de Santo Estêvão

NOTA ARTISTICA

Do edifício primitivo, na resta, tal como do edifício oitocentista. A obra que se ergue no centro da localidade daa Póvoa da Atalaia é fruto de uma construção de meados do século XX, seguindo um figurino histórico. Composto por corpo, capela-mor e sacristia. O edifício tem uma fachada sóbria, marcado pelos cunhais nos seus ângulos, sobressaindo do seu despojamento o portal de configuração retilínea e fenestração sobreposta à entrada e iluminando diretamente o coro. Na parede testeira da capela-mor e sacristia, encontra-se adossada uma pequena torre sineira, acedendo-se ao seu topo por uma escadaria exterior.

O interior do edifício de nave única, provido de cor alto. Na capela-mor, o elemento de maior destaque é o retábulo de talha dourada, seguindo um figurino de estilo. Nacional e que teve em voga durante o século XVIII. Este equipamento deve-se a uma incorporação de bens provindos da igreja do convento de Santo António de Castelo Branco.

Destacar ainda o ambão, peça que segue a mesma linguagem do retábulo da capela-mor – talha de estilo nacional – é um, reaproveitamento da guarda do púlpito que existia na igreja oitocentista.

 Séc. XVIII

Autor:  Pedreiro – Domingos Gonçalves ( 1803); Carpinteiro Luis Costa (1803)

NOTA HISTÓRICA

A localidade de Póvoa da Atalaia, tal como como acontece com a Atalaia do Campo, o seu nome parece encontrar eco na existência de uma atalaia, ou seja, estrutura militar, torre ou lugar alto onde se pode vigiar o território envolvente. A presença neste espaço atesta-se pelos inúmeros achados arqueológicos que nas últimas décadas tem vindo a ser descobertas nestas terras, sobretudo registando-se materialmente uma larga presença romana.

Povoado desde o século XIII, no seguimento da carta de povoamento, Póvoa da Atalaia, tal como tantas outras localidades desta região, encontra-se adstrita à Ordem do Templo   Contudo, os elementos medievais disponíveis, sobretudo de âmbito documental, são bastantes escassos. Inevitavelmente, em sequência da extinção da Ordem do Templo, todos os bens passam para a Ordem de Cristo, recentemente criada por D. Dinis.

Ficando na dependência da comenda de Castelo Novo e Alpedrinha, ou seja, cabeça de Comenda, inúmeras terras e bens da Póvoa da Atalaia e seus limites, passam para as mãos da nova Ordem. Tal como a sua igreja que se encontra deentro estaa ho dicto lugar da povoa com sua egreia cuja jnuocaçom he sant Estevam. De quanto Deus daa neste limite leva a hordem de dez dous com ho dizimo e ho bispo leva terça parte do dizimo.

Para destes terra tenentes que são mencionados (Ordem e Bispo), também se junto um outro no século XV e XVI: D. Jorge da Costa, cardeal Alpedrinha. Esta figura, tem extensos domínios nestas paragens, em 1505, o tombo refere que todos os moradores na povoa e ao sull com a terra do senhorio que ora he ho cardeal dom Jorge (….).

São estes os poderes instituídos nesta região, onde a Ordem tem a sua predominância, sendo a igreja a sua face mais visível.

Desconhecemos quando foi fundada a igreja da Póvoa da Atalia, possivelmente surge no século XIV e no século seguinte surge já sob a mesma invocação, embora a historiografia aponte que a atual igreja não se situa no espaço da primitiva.

A visitação realizada em 1537, por frei António de Lisboa, revela-nos uma igreja, que se encontra no termo de Castelo Novo, tem uma estrutura bastante sendo composta, por um alpendre, corpo principal qual tem de comprido treze varas e meia e dev lorguo cinquo e meya. Tinha um bom campanário, de dois sinos e se encontrava à mão esquerda do edifício. Era uma igreja com cobertura de madeira e chão. A capela-mor, detinha uma imagem de Santo Estevam incorporado num retábulo

Destaca-se que esta igreja, nas paredes do arco triunfal, encontrava-se coberta de pintura mural com imagees de imagees deste mundo porque sam taes que nom tem semelhança das de que devemos teer lembrança refere-se ainda que na parte superior do cruzeiro estava um grupo escultórico, composto de crucifixo (Cristo na Cruz), São João e Nossa. O interessante é a reflexão todos estes elementos, diz o visitador que são cousa pera num estar em egreja (…), possivelmente por ser antigas ou velhas, isto para utilizar a expressão de frei António de Lisboa.

No respetivo auto visitador realiza um apontamento que mostra bem como contribui esta localidade e igreja anexa à comenda de Castelo Novo e Alpedrinha: as ofertas de Nossa Senhora quue esta no lemite desta freguesia em aquall egreja ora se fazem mujtos mjlagres porque se faz gramde romagem em tal maneira que de sete ou oyto meses a esta parte tem Recadados majs de cem mill reis que ho mandou arrecadar e estam em deposyto na mäo de Luis Afonso esprivam da camara de Castelo Novo.

Já em tempo de D. Sebastião, o auto dos títulos da Comendas, de 1563, revela a igª de samta maria da villa de castello nouo tem como anexas as igrejas São Martinho de Alpedrinha, Póvoa (Ataláia), Ataláia do Campo, Zeuras e Fatella. Sendo o seu comendador D. João de Mascarenhas, ficando este com dous terços E o cabido hu terço do quall terço leua O arcediaguo a Redizima de dez hu (…).

Igreia de Sancta maria da villa de castº nouo E suas Anexas sam Martinho dalpedrinha E sancta mª Da Pouoa E atalaja E as zeuras E a fatella he comenda da ordem de xpo he dela comendador don Jº masquarenhas e vigairo na matriz thome vaz, leua o dito comendador na matriz e nas anexas dalpedrinha pouoa atalaya E nas zeuras dous terços dos dizimos E o bpo leua hu zº E na anexa da fatella leua o dito comendador dous terços E o cabido hu terço do quall terço leua O arcediaguo a Redizima de dez hu.

endem ao dito comendador os dous terços que leua dos dizimos com as promisias e Propios, guado, lam, linho vinho E outras meuças en cada huu anño tiradas as despesas ordinarias necessarias conforme ao Regimento e asy o salrº do vigrº. quinhentos dezanoue mil quinhentos e dezanove rs

Desta igreja, pouco ou nada restou. No final do século XVIII, a igreja estava em ruínas, colocando mesmo os paroquianos em perigo, motivando protestos da população. Isso mesmo se vê no processo de 1792, com os respetivos apontamentos e desenhos para a reconstrução. O processo foi longo, somente em 1803 se terá começado os trabalhos, tendo como responsáveis o mestre de pedraria Domingos Gonçalves e carpintaria Luís da Costa, este morador na Aldeia nova do Cabo.

Segundo os autos, somente em 1830 é que o edifício se mostrava minimamente apto para se realizarem celebrações. Esse acontecimento, terá sido marcante para a localidade, atendendo as notícias da época, e tal data passou a estar cronografada na porta principal do edifício.

Já na década de 1910, o edifício vai dotado com elementos oriundos do Convento de Santo António de Castelo Branco, onde se destaca claramente o retábulo-mor de talha barroca de gosto joanino e que terá pertencido a uma das capelas laterais da igreja do referido convento albicastrense.

Em meados do século XX, o edifício voltava em entrar em ruínas, com problemas de infiltrações na cobertura e fissuras das paredes laterais. Motivou novamente a reedificação da igreja, desta feita, demolindo-se a oitocentista para dar lugar uma estrutura moderna.

Referências Bibliográficas:

COSTA, António Carvalho da – Corographia Portugueza. Lisboa: Officina de Valentim da Costa Deslandes, 1708, vol. II;

HORMIGO, José Joaquim M. – Visitações da Ordem de Cristo em 1505 e 1537. Amadora: Edição do Autor, 1981;

SILVA, Joaquim Candeias da – Concelho do Fundão – História e Arte. Fundão: Câmara Municipal do Fundão, 2002, vol. I;

SILVA, Joaquim Candeias da – «A Ermida de Nossa Senhora da Oliveira da Orca – apontamentos para a sua História» in Separata da Revista Estudos de Castelo Branco. Castelo Branco, julho 2004, n.º 3.

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=602

Referências Documentais: