Capela de São Brás

NOTA ARTÍSTICA

A capela de São Brás, construída em granito, é uma construção de feição vernácula e bastante despojada. Na fachada principal o  portal ostenta colunelos tardo-medievais e no fecho do arco esta representado a cruz da Ordem de Cristo, denunciando assim a associação deste edifício a esta Ordem. O interior é composto de nave única e capela-mor de pequenas dimensões. A ladear a capela-mor,  no lado da Epístola, encontra-se uma capela.

A capela-mor alberga um retábulo maneirista. Uma Anunciação bipartida, de pincel evidentemente provincial, mas com certo sabor pessoalizado, seguindo modelos tradicionais. De um lado o anjo, ajoelhado e com o ceptro na mão aponta para o Espírito Santo que se encontra representado no outro painel onde também está Maria cuja postura, de joelhos e mãos postas sobre o peito, denuncia o momento da concordatio e da verdadeira ‘Encarnação’, como o parecem demonstrar os três lírios abertos na jarra que está a seu lado. Se em termos iconográficos parece tratar-se de um artista perfeitamente consonante com as normativas tridentinas emanadas após o Concílio, já do ponto de vista técnico são mais evidentes as tibiezas de pincel, como fica claro em termos compositivos, e nas dificuldades com que tentou esboçar o enquadramento arquitectónico e perspéctico para integrar a cena.

A falta de documentação não permite atestar a data da realização desta obra, muito menos o seu autor. Porém, a obra deve corresponder ao último quartel do século XVI e deve inserir-se na campanha de obras efetuadas no edifício. Provavelmente, a data de 1576 que se encontra cronografada na fachada poderá corresponder a essa campanha

Séc. XVI

Autor: n/s

NOTA HISTÓRICA

Pouco se sabe a respeito da história deste edifício. A sua fundação remonta, possivelmente, ao tempo da presença da Ordem do Templo nesta região, estando associada a huma Igreja  dedicada a N. Senhora debayxo do titulo do Mostey- ro. Contudo, esta relação parece não corresponder à realidade, aliás como refere Candeias da Silva.

Por outro lado, a construção quinhentista de capela de São Brás deve-se ao aparecimento da imagem de Nossa Senhora num castanheiro, como salienta Frei Agostinho de Santa Maria: A Imagem da Senhora he de escultura de madeira, tem de alto dous palmos , & meyo, & affirmaô todos ser a mesma, que appareceo no tronco do castanheiro , & muytos a tem por Angelical, & naõ falta quem diga, que os Templários a naõ efeondéraõ.

No século XVI o edifício sofreu intervenções. Em 1505, no tombo referente à comenda da Ordem de Cristo de Castelo Novo, é referido que o pequeno templo tem junto consigo huu circuito pequeno todo cerrado sobre si e parte ao sul com há fonte e com chãao dos herdeiros de fernam vaaz e ao levante entesta na dicta egreia e com herdeiros de Gonçalo pirez e ao norte com mato manjnho  tem dentro Rbj castanheiros antre grandes e pequenos. E ho daa ho comendador ao jrmitão quando hi estaa ou a quem lhe mais apraz.

Referências Bibliográficas:

NEVES, Manuel Poças das, Castelo Novo – Estudos para uma monografia, Fundão, 1975.

SANTA MARIA, Agostinho, Santuario Mariano, e historia das imagẽs milagrosas de Nossa Senhora, e das milagrosamente apparecidas em graça dos prègadores & dos devotos da mesma Senhora, tomo III, Lisboa : Na officina de Antonio Pedrozo Galraõ, 1707.

SILVA, Joaquim Candeias da, Concelho do Fundão – História e Arte. Câmara Municipal do Fundão, vol. I, 2002

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2528

Referências Documentais: