Castelo

NOTA Artística

O lugar onde está situada junto da Serra da Guardunha, apresenta uma geologia granítica que enfatiza a paisagem envolvente e relaciona-se com a edificação do castelo que foi construído nos finais do séc. XIII. Este conjunto, implantado no topo de uma colina, apresenta várias cercas que delimitam o espaço interior, como uma barbacã e várias portas, e torreões onde num deles se colocou posteriormente a torre sineira. A Torre de Menagem de forma quadrada situa-se junto a uma porta, e servia de alojamento ao Comendador, veja-se o que diz o Tombo de 1505: “estaa junto da porta huua casa torre da menagem forteleza do dito castello…que ora serve d apousentamento do alcaide pequeno…esta casa, muro e cercas som todas ameadas d arredor”.

A vila cresceu junto desde castelejo, e foi adossado à sua cerca os Paços do Concelho e o pelourinho que acentuou o poder político no reinado de D. Manuel I, em paralelo com o simbolismo da Torre de Menagem medieval. As ruínas desta Torre de Menagem estão preservadas e prevalece a sua referência na paisagem cultural do Lugar.

Séc. XIII

Autor: Luís de Cáceres (séc. XVI)

NOTA HISTÓRICA

Construído por volta do século XIII, o castelo de Castelo Novo encontrava-se nas mãos da Ordem do Templo, tal como acontece com diversas propriedades que se encontram no termo de Castelo Novo. Porém, no durante o reinado de D. Dinis, tal como acontece em outros castelos, executam-se algumas obras no perímetro muralhado, procedendo-se à abertura de uma porta voltada a poente do castelo.

Com a criação da Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo, (através da  bula “Ad ea ex quibus”, de 1319), todos os bens dos Templários transitam para a nova milícia:   “outorgamos e doamos e ajuntamos e encorporamos e anexamos para todo o sempre, à dita Ordem de Jesus Cristo (…), Castelo Branco, Longroiva, Tomar, Almourol e todos os outros castelos, fortalezas e todos os outros bens, móveis e de raiz”.

Na segunda metade do século XIV, o castelo entra em ruína e subsequentemente é abandonado. Para tal facto tem sido apontado o ataque levado a acabo por Henrique II, de Castela, a terra da beira no ano de 1372. A situação é revertida com a subida ao trono de D. João I, revendo na fortificação de Castelo Novo uma importância estratégica, já que se implantava numa das possíveis vias de entrada no Reino.

Entre os finais do século XV e início da centúria seguinte, o castelo encontra-se obras. Um dos intervenientes nas obras é Luís de Cáceres, pedreiro castelhano e morador na localidade de Alpedrinha, trabalhava “avera aora hum anno que fazendo ell (…) hum pedaço de muro no castelo da villa de castellnouo, sendo elle mestre da dita obra”.

Em 1505, Tombo da Ordem de Cristo, descreve o castelo de Castelo Novo da seguinte forma: ” estaa posto em huu cabeço ao pee de huua serra fragosa e alta que se chama ha serra de guardinha. e tem logo aa entrada huua barbacãa que tem huu pedaço derribado e tem huu portal de pedra sem portas e logo adiante tem huu muro de bõoa altura boom e forte. ho mais delle de cantaria e tem outro portal de pedra laurado e sobre elle huua torre d altura do dito muro com suas portas bõoas. E aalem desta entrada tem outra çerca pequena que atrauessa da barreira de dentro pera ho muro. com seu portal e bõoas portas. E mais dentro vay outra çerca que tem outro pedaço derribado e tem huu portal sem portas e estaa junto da porta de huua casa torre de menagem forteleza do dito castello. e aalem desta çerca. estaa ha dita casa torre que he grande e forte e de razoada altura. has paredes pella mayor parte são de canto talhado. e ho mais d aluenaria bem madeirada e telhada de telha uãa. e per cima tem huu andar per que se corre ao longo do telhado a que sobem per huua escaada de pedra E tem ha dicta casa huu repartimento de huua meya parede de pedra e barro que ora serue d apousentamento do alcaide pequeno. esta casa se serue per huu portal de pedraria forte e tem suas portas fortes e bõoas: esta casa. muro e cercas são todas ameadas d arredor. honde dentro na dita çerca ao pee da dita casa grande estam dous pardieiros que foram estrebaria e palheiro do cemendador dos quase ho mayor mandarom cobrir e correger. ho comendador da dicta comenda que he alcaide moor do dicto castello. faz dele menagem ao mestre”.

Referências Bibliográficas:

GONÇALVES, Luís Jorge Rodrigues, Os castelos da Beira interior na defesa de Portugal (séc. XII – XVI). Dissertação de Mestrado apresentada na Faculdade de Letras de Lisboa. Lisboa: texto policopiado, 1995.

GOMES, Rita Costa, Castelos da Raia. Beira. Lisboa: IPPAR, 1997, vol. 1.

HORMIGO, José Joaquim M. Visitações da Ordem de Cristo em 1505 e 1537. Amadora: 1981.

NEVES, Manuel Poças, Castelo Novo – Estudos para uma Monografia. Lisboa: Tip. Jornal do Fundão, 1975

VITERBO, Sousa, Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses. Lisboa: 1922

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2525

Referências Documentais: