Igreja Paroquial de São Domingos

NOTA ARTISTICA

Igreja de uma só nave com capela-mor mais baixa e estreita, antecedida por adro murado. A atual construção resulta de uma remodelação da segunda metade do século XVIII, embora a origem do templo remonte à primeira metade do século XVI e possivelmente de uma remodelação do século seguinte. As fachadas são delimitadas por cunhais e cornijas em cantaria; na principal rasga-se um portal, encimado por nicho com escultura de vulto do orago e ladeado por janelas de sacada. As molduras dos vãos são em cantaria e rematados por frontões interrompidos e cornijas quebradas ao gosto barroco.

Os alçados da nave são compostos por arcaria cega, apenas com a marcação da imposta, onde se rasgam as portas, janelas e arcos das capelas laterais; são revestidos com silhares de azulejo de padrão contemporâneos.

As coberturas são em abóbada com perfil rebaixado e é sustentada por arco diafragma que arrancam dos pilares de suporte da arcaria.

O retábulo-mor, rococó, em talha dourada e policromada, integra um trono e três esculturas de vulto de Santos.

Data: XIX XX

Autor: ENTALHADORES: António José Longo (1767); Manuel Simão Tomás Ramos (1767). PEDREIRO: Marcos da Costa (1760).

NOTA HISTÓRICA

As primeiras notas que se conhecem a respeito de Malpica do Tejo – na épocas designada por dalem pónsul,  são dados indiretos. Em 1211 grande parte do território que corresponde hoje a Malpica do Tejo, passou a pertencer à milícia do Templo através da doação efetuada por Fernando Sanches. Contudo, estes bens acabam por transitar para a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo em 1319.

Pouco anos volvidos, em 1325, quando, em plenas Cortes reunidas em Évora por Afonso IV,  foi apresentado um agravamento pelos procuradores de Castelo Branco contra a Ordem de Cristo, visto o desrespeito existente sobre a taxa imposta pela Ordem a quem navega pelo rio e que levam deles mais do que deviam (…). A queixa apresentada ao rei Afonso IV tem por argumento a carta de benfeitoria passada do D. Dinis. Deste modo, vemos que a Ordem de Cristo, subentendendo-se também o seu comendador, são verdadeiros terra-tenentes, dominado um vasto território fronteiriço, mas, também, dominam uma das mais importantes recursos e vias de comunicação: o rio Tejo. Sobre este aspeto, é interessante a referência de um documento que fala da ribeira do Ponsul e de uma disputa que envolve um escudeiro da casa real: “A pero pardales escudeiro e caçador del rey mercee de hum caneiro que he da messa mestrall que esta na foz da ribeira do Ponsall junto com ho tejo termo de castell branmco (…)”

Em 1533, num documento da chancelaria de D. João IIII, é feita uma referência a D. Pedro de Sousa, Comendador da Ordem de Cristo e e alcaide de Idanha-a-Nova, é dito que este é um território de fraca qualidade para agricultura e por isso a quase inexistência de população, a execção de tudo isto é o rio.

É à luz deste território e do rio, que cresce a localidade de Malpica do Tejo, ou dalem pósul. No entanto, não são conhecidos elementos documentais sobre a igreja antes de meados do século XVI, mas, tal como acontece em outras localidades desta zona, terá existido no local um primitivo tempo. Somente, em 1563, é que encontramos os primeiros dados sobre este espaço. No documento intitulado Titulo das comendas da Ordem de Cristo, surge uma entrada com o respetivo texto: Titulo das igreías de santa mª e sam miguel da vila de castelo branco con suas enexas comenda da ordem de xpo,

Igrejas de santa maria e são migel da vila de castelo branqº cõ suas enexas de monforte escalhos de baixo. escalhos de cima cafede sam domingos dalem pósul. E salgeiro sam comendas da ordem de xpo he delas comendador dom fernando de meneses leua o dito comendador das quatro partes dos dizimos as tres partes e o Bpo leua a quarta parte e destas tres partes do comendador se pagão os vigairos E os beneficiados das ditas igrejas.

emdem Ao dito comendador as tres partes dos dizimos que leuam nestas Igrejas com as promicias ppios e granjas tiradas as despesas Ordinarias necessarias comforme ao Regimento e asy os salarios dos Vigairos Benefíciados Outocentos nouenta e cinco mil duzentos cincoenta e quatrº

Do texto ficamos a saber que a igreja de Malpica do Tejo tinha o titulo de sam domingos dalem pósul, era anexa às igrejas de Castelo Branco, respetivamente Santa Maria (do Castelo) e São Miguel,  fazendo parte assim do rol patrimonial da Ordem de Cristo e tinha nesta data como comendador, D. Fernando de Meneses.

Apesar da existência de um primitivo templo desde o século XVI, o facto é que não temos conhecimento de qualquer dado sobre este aspeto. Do mesmo modo, a História de S. Domingos de Frei Luís de Sousa (1623), não cita este templo.

O certo é que, em 1636, paróquia tinha uma padre: padre frei João Lopes, cura no lugar de Malpica  e dez anos depois, 1646, “Malpiqua” é referida, conforme se pode ler na carta de apresentação de Frei Mateus Luís, na realidade é esta data que tem sido referida como o momento da construção da nova igreja com dedicação a São Domingos. Neste século conhecemos os nomes dos pedreiros, Manuel Francisco (1664) e Manuel Fernandes (1679) que se encontram documentados em Malpica do Tejo.

As memórias paroquiais revelam que a igreja não tem naves, detém quatro altares, o maior do predito orago em que esta o santissimo Sacramento. dois colaterais, um do Santissimo Nome de Jesus, e outro de Nossa Senhora do Rosario

Logo dois anos após o auto, em 24 de outubro de 1760, é lavrado um contrato entre Domingos Rodrigues Teixeira (procurador do infante de Portugal D Pedro comendador da comenda de Santa Maria do Castelo de Castelo Branco)  e o mestre pedreiro, Marcos da Costa, para a realização de obras de pedraria da capela-mor (construção visto o contrato para a realização do retábulo acontece 6 anos posteriormente), pelo valor 520 mil reis. Seis anos após esta obra, encontramos novo contrato, desta feita com Manuel Simão, mestre entalhador, morador em São Miguel de Acha, para concluir o retábulo da capela-mor (e não fazer como alguma historiografia aponta), seguindo os apontamentos de António José Longo, morador em Castelo Branco, entretanto falecido.

Em meados do século XX o edifício encontrava-se em muito mau estado, levando

Referências Bibliográficas:

CARDOSO, J. Ribeiro, Castelo Branco e o seu Alfoz. Achega para uma Monografia Regional. Subsídios para a História Regional da Beira Baixa, vol. I, Junta
de Província da Beira Baixa, Castelo Branco, 1944.

CORREIA, João Diogo, Apontamentos para a monografia de Malpica do Tejo. Edição do Autor, Lisboa, 1953.

COSTA, António Carvalho da, Corografia Portugueza, e descripçam topográfica do famoso reyno de Portugal (…). Tomo Segundo, 642p., Officina de Valentim da Costa
Deslandes, Lisboa, 1708.

DIAS, João Alveirinho, Malpica seiscentista: demografia histórica e temas correlatos. CIMA – Centro de Investigação Marinha e Ambiental, Universidade do Algarve, 2019.

MARTINS, Manuel Alfredo de Morais, Malpica do Tejo, Terra Pobre, Povo Nobre. Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Lisboa, 1986.

VICENTE, Maria da Graça Antunes Silvestre, Entre Zêzere e Tejo Propriedade e Povoamento (séculos XII-XIV). Volume I, 292p., tese de doutoramento em História
Medieval, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2013.

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=12836

Referências Documentais:

ANTT, Torre do Tombo, Gav. 7, mç. 14, n.º 9.

ANTT, Leitura Nova, Beira, liv. 3 fl. 79.

arquivo cartório notarial de cb m3 l 48 fl 32