Igreja Paroquial de Santa Margarida

NOTA ARTÍSTICA

Primitiva igreja construída à custa dos fregueses que se separaram de povoação de Escalos de Cima;

Fachada principal rebocada e pintada; com remate em empenha triangular e vãos, porta e duas janelas, com molduras simples em cantaria. Uma torre sineira adossa-se a esta fachada, que substituiu o primitivo campanário.

O espaço interior é composto por nave e capela-mor, estando esta antecedida por arco triunfal, que na pedra de fecho exibe a data de 1892; na visitação de 1537, considerando a capela-mor e o arco triunfal muito baixo, foi solicitados o seu alteamento.

Apresenta coro-alto, mas encontra-se desprovida de retábulos; dispersos pelo espaço interior, diversas esculturas de vulto setecentistas assentes em plintos e mísulas.

Silhares de  azulejo de padrão, contemporâneos, revestem os alçados da nave e da capela-mor.

Séc. XVIII/XIX

Autor: s/n

NOTA HISTÓRICA

O Visitação da Ordem de Cristo, de 1537,  refere o seguinte :

Item no logar da Mata termo de Castello Bramco ha huua egreja cuja jnvocaçam de Samta Margarida de que he comendador Dom Graçia d’Albuguerque a quall egreja estaa huu pouco fora do logar o corpo da quall he de cumprido sete varas e de larguo quatro e he toda madeirada e forrada de castanho. Em cima do cruzeiro tem huu crucifixo com Nossa Senhora e Sam Joam e sam de vulto e nom he a mjlhor obra do Reino. O cruzeiro he baixo e de pedra berm lavrado a ten huuas grades de pao. E os altares de fora-a saber-o da mão dereita he de Nossa Senhora da Graça e de Sam Sebastiam e o outro de Santo António e Samto Estevam e sam todas de vulto e da obra das jmagees do cruzeiro tem de tras da porta primcipal aa mão esquerda huua boa pia de pedra de bautizar. Item a capella desta egreja he de tres varas menos sesma de comprido e de larguo duas varas e duas terças e he forrada e muito baixa que do altar acima aos fechos nom ha maes que de huua vara eo altar he de madeira pintado e he de comprido duas varas a terça e de alto huua vara escasa e nele estaa a jmagem de Samta Margarida de vulto muyto pequena. Item a a porta dereita da egreja na parede da porta primcipall tem huu boom campanario com huma arrezoada campãa. ltern a prata ornamentos e cousas que tem este egreja sa segue Item huo cruz de prata bramca que tem tres marcos e meyo e he do Concelho

item huu caliz de prata que he do Concelho item huu tribolo de metall quebrado Item huua caldeira d’agoa bemta. Item huua alampada de matall Item no corpo da agreja hu campainha Item dous castiçaes pequenos d’arame Iten huk missall item huüa caixa de osteas tem duaas caixa de corporaes Item huus corporaes Item humas cortinas de lançoll no altar Item hua estante de paao tem du8s gualhetas tem huüa vestimenta de damasco/ bramco com savastro de damasco ermelho om framja de Retros verde e alaramjada que deu o comendador. Item huua vestime nta veiha de zarzaganja muito desbaratada Item outra vestimenta de linho branca velha Item quatro mantees velhos Item quatro toalhas bõas gruss. Item he capelao desta egreja frei Pedro Vaaz morador na Lousa termo da dicta villa que he huua legoa do dicto logar que he freire da dita ordem de Christo e nom traz o abito por ua devação he obrigado a dizer Ihe missa domjanguos e festas de guar- da e tem de mantimento aa custa dos fregueses de cada huua dous alqueires de pão meyado sem outra cousa porque estes dantiguoamente eram freguases dos Escalos de Cima e quizeram se separar sobre sy e sam obrigados pagar o capelão e correger egreja e dar todo o necessario pera ella e portamto o comendador he fora desta obrigaçam e ihe nom tem dado cousa alguüa porque a vestimenta de damasco Ihe deu a molher do comendador tem esta egreja vinta e cimquo atee trimta fregueses seram cem almas de cura a que o dicto capelam he obrigado. Remde esta egrejaa saber- os ditos tregueses cad’anno ao comendasor vinte mjl reis e mais. E he Ihe feito agravo por que tambem dantigamente hiam os moradoras dos Escalos de Baixo e os da Lousa a egreja dos Escalos de Cima e ajnda que se apartarom os comendadorees sam obrigados ao corregimento da capella e ornamentos e fabrica e asy cumprerm com sua obrigaçam e o comendador nom ho faz asy e os fregueses por proves e simplez antes gastam suas fazemdas em comprirem as visitações e comn o que he necessario que o Requererem aos comendadores. O de que esta egreja tem necessydade he -a-saber de se erguer a capelita huu covado am Redondo Item de huu Retavolo no altar moor tem huua vestimenta de seeda de cor para as festas Item de huua arroba de cara para tochas pera o sacrarmento e candeas pera as misas.

Desta construção nada resta. O actual edifício data do século XVIII/XIX.

 

Referências Bibliográficas:

JÚNIOR, Francisco Tavares Proença, “Inscrições romanas de Castelo Branco”, in O Archeólogo Português, vol. XII, 1907, pp. 172-178;

PESSOA, Manuel de Paiva, “Novas inscrições do Concelho do Castelo Branco”, in Revista de Arqueologia, tomo I, 1932, pp. 119-124; ALMEIDA, Fernando de, Egitânia – História e Arqueologia, Lisboa, 1956;

HORMIGO, José Joaquim M., Visitações da Ordem de Cristo em 1505 e 1537, Amadora, 1981.

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2529

Referências Documentais:

ANTT, Ordem de Cristo e Convento de Tomar, liv. 306

BNP, Reservados, Cod. 413 – Titulo das comendas dos Mestrados das ordens de Christo e d auis ue ha neste b[is]pado da guarda com aualiaçam das Remdas de cada hu[m]a delas dos Annos de 1563 e de 1564