Igreja Matriz de São Pedro

NOTA ARTISTICA

Edifício de planta unificada, com nave e capela escalonadas; a estes espaços anexam-me outras dependências; a torre sineira eleva-se isolada, no adro na igreja. Possivelmente, o atual  edifício teve origem no  século XVII, tendo sofrido alterações  substanciais na contemporaneidade. A comenda teve origem em 1505, autonomizando-se da comenda  de  Santa Maria do Castelo de Castelo Branco, todavia um período de tempo curto.

A fachada principal é constituída por uma pano único com cunhais em cantaria, sobrepujados por pináculos e remate em empena angular. No eixo central  rasga-se o portal e uma janela, ambos com molduras em cantaria e encimados por friso e cornija. O registo inferior da fachada é em cantaria aparelhada, o superior está rebocado; a mesma diferenciação encontra-se nas fachadas laterais. Uma das portas travessas, que exibe a data de  1704, foi transformada em nicho para receber uma Cristo crucificado em cantaria.

Na nave abrem-se quatro capelas laterais, de distintas dimensões, definidas por arco a pleno centro assente sobre pilastras. Esta capelas estão atualmente desprovidas de retábulos, apenas exibem imaginária diversa; no século XVIII estas capelas eram dedicadas ao Menino Jesus, Almas, São Francisco e Nossa Senhora do Rosário.

A capela-mor exibe um retábulo-mor tardo-barroco, pintado e dourado, com trono e as  esculturas  de  São Pedro, Nossa Senhora do Rosário e Cristo crucificado.

O edifício conserva diversas pedras epigrafadas de distintas cronologias.

Séc: XVI/XVIII

Autor: ENTALHADORES: António José Longo (1767); Manuel Simão Tomás Ramos (1767).

NOTA HISTÓRICA

No ano de 1505, n o contexto da reforma das comendas, D. Manuel cria a comenda de Escalos de Cima (embora volte, 1510, a ser incorporada Santa Maria de Castelo Branco), onde se incluíam as povoações de Escalos de Baixo, Mata e Caféde, tendo por comendador Frei Lourenço de Brito. A importância deste espaço revela-se coma criação de um hospital, conforme é referido num tombo da Ordem de Cristo, em 1505: a Ordem era proprietária de uma casa terrea junto ao adro da igreja que partia com uma casa do hospital.

O edifício atual remonta provavelmente aos finais do século XVII ou início da centúria seguinte, tal como se pode observar pela data – 1704 – que se encontra cronografada numa das portas laterais. Obras que possivelmente se terão arrastado até meados do século (a data de 1744 que surge no muro da sacristia – “LICINIO . POLLIH . F(ílio) / CILO BOVTI F(ilius) H(eres) . / EX T(estamento) F(aciendum) C(uravit)”. Na SACRISTIA, um silhar com a inscrição: PECUS / 1744″)

Em 1758, Memórias Paroquiais, referem que igreja, dedicada a São Pedro, encontra-se situada junto à povoação. Detém tem cinco altares, o mor, o do Menino Jesus, o da Senhora do Rosário, o das Almas e de São Francisco; tem as Irmandades do Senhor, das Almas e de São Francisco, que é da Ordem Terceira. O pároco desta igreja é vigário que é apresentado pela Mesa da Consciência e Ordens, por esta igreja pertencer à Ordem de Cristo, tendo por isso de côngrua quarenta mil reais. Em 1767,  é realizada obra no retábulo-mor por António José Longo, substituído, por motivo de morte, por Manuel Simão Tomás Ramos.

Em termos escultóricos, podemos destacar  a existência de algumas peças do século XVI, como é exemplo a representação de São Pedro entronizado.

Referências Bibliográficas:

FERREIRA, Ana Paula Ramos – Epigrafia funerária romana da Beira Interior: inovação ou continuidade? Lisboa: Instituto Português de Arqueologia, 2004. 

GONÇALVES, Iria (coord), Tombos da Ordem de Cristo.Comendas da Beira Interior Sul, Lisboa, 2009.

HORMIGO, José Joaquim Mendes, Arte e Artistas na Beira Baixa, s.l., Janeiro 1998.

MATOS, João dos Reis de – Apontamentos para a História de Escalos de Cima. Coimbra / Castelo Branco: Alma Azul, 2005.

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=845

Referências Documentais: