Castelo e Muralhas

NOTA ARTÍSTICA

Pouco resta da estrutura fortificada de Castelo Branco e que foi desenhado por Duarte de Armas no século XVI.

Dos poucos elementos que restam, sobressaem os troços de muralha medieval. Contudo, como qualquer outro castelo também terá tido a sua alcaçova. Ocupava o castelo o topo da colina, dominando o casario que se estendia pela topografia abaixo, primeiro dentro do perímetro muralhado e depois, já no século XVI, estendia-se para fora dessas estruturas defensivas.

Podemos visualizar, junto da parede testeira da capela-mor, uma antiga entrada, com arco de volta perfeita (estrutura muito refeita pelos restauros), com escadaria que dá acesso ao interior do reduto, acedendo-se para o terreiro e pátio da cisterna (isto seguindo as indicações de Duarte de Armas). Subsiste ainda hoje parte da torre defensiva da alcáçova, conjuntamente com a muralha e o seu adarve, onde as réplicas de ameias e merlões, rasgão o horizonte.

Sabemos que esta estrutura detinha um paço com múltiplas dependências, porém dele subsiste a parte de torre com as suas ameais, era composta por dois pisos, três janelas e balcões, todas dando para a cidade. Destes elementos, particamente todos refeitos e até mesmo inventados pelos restauros do século XX, ainda se conserva uma janela manuelina, denotando a existência de intervenções no final do século XV ou início da centúria seguinte.

Data: XIII/XIV/XVI/XIX

Autor: S/N

NOTA HISTÓRICA

Apesar da sua profunda descaracterização, imposta pelo andamento dos séculos, o castelo de Castelo Branco, conforme refere Margarida Valla, continua a ser um importantíssimo registro histórico-militar. Fundado no século XIII, esta fortificação impôs-se no território, assumindo-se mesmo como pedra chave para os Templários e para a Ordem de Cristo em terras da Beira Baixa.

O seu foral foi implementado em 1186, e doada à Ordem do Templo em 1213, que investiu na construção de uma cerca muralhada com torreões, e na edificação dos Paços do Comendador, ou Alcáçova, que é descrito muito detalhadamente em 1505:  “tem primeiramente há dicta hordem na dicta villa de castel branco huus paaços que estam junto da egreja de santa maria” .  No reinado de D. Dinis é elevada a Torre de Menagem, que assume essa ligação ao poder político e militar, assim como a igreja de Santa Maria se implanta no centro da cerca, com várias fases de intervenção ao longo de séculos, divide o espaço exterior em várias áreas, como um pátio destinado a armazém militar, e uma cisterna adjacente às suas paredes é fornecida pelas águas do seu telhado.

O crescimento do núcleo urbano extramuros obrigou à construção de uma grande cerca, que se inicia com Afonso IV com várias portas ladeadas de torreões, como a Porta do Relógio. A ligação com a alcáçova era através de um grande portal. Esta grande cerca já representada por Duarte D´Armas, é rodeada por uma barbacã iniciada por D. João I, e acompanha o perímetro das muralhas, da vila e do castelo. Esta representação destaca a nova Torre de Menagem construída no séc. XIV em confronto com os Paços como a referência na paisagem urbana e rural.

Dentro do último perímetro muralhado erguiam-se os paços do Castelo dos alcaides e comendadores da Ordem de Cristo. Era um edifício amplo, sobradado e com composta inúmeras dependências, no primeiro quartel do século XX, ainda se podia ver os seus apontamentos medievais e tardo-medievais nas janela e portados. é passível saber os detalhes edificio pela leitura do Tombo da Comenda de 1753, sob o titulo Medição e descrição do palácio dos comendadores de Santa Maria do Castelo da vila de Castelo Branco, servindo o propósito da extinção da Casa do Infantado (Casa fundada em 1644, em sequência da Restauração, o que levou ao confisco de bens de alguma fidalguia portuguesa partidária de Castela). Com esta extinção, Rainha D. Maria, em 1791, vai doá-los ao príncipe herdeiro do Brasil, sob uma comenda, para tal vai unir a comenda de Castelo Branco e Alcains.

No século XVI, Duarte de Armas, no Livro das Fortalezas, retrata o modo como o castelo é dominante em relação ao casario que se desenvolve na encosta. No desenho de Duarte de Armas, destaca-se a torre de menagem, o Palácio dos Comendadores, a igreja de Santa Maria do Castelo. Observa-se como a vila tinha dupla cerca com cinco torres e as oito portas – a do Ouro, a de Santiago, a da Traição, a do Espírito Santo, a do Relógio, a da Vila, a do Esteval e a de Santarém.

Face às várias guerras no séc. XVIII e XIX as muralhas foram-se destruindo, assim como as portas e os Paços foram desmantelados, sobrevivendo a igreja, a cerca do castelo e a torre junto ao casario.

Referências Bibliográficas:

ARMAS, Duarte de – Livro das Fortalezas. Fac-simile do MS. 159 da Casa Forte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Lisboa: Patrocínio da Academia Portuguesa de História; edições Inapa, 1997.

CONDE, F. da Costa – «A alcáçova de Castelo Branco». In Estudos de Castelo Branco. 1964, vol. 14;

GOMES, Rita Costa – Castelos da Raia. Beira. Lisboa: IPPAR, 1997, vol. 1;

GONÇALVES, Iria (organização) – Tombos da Ordem de Cristo. Comendas Sul do Tejo. Lisboa: Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 2009, vol. 5;

MARTINS, A. Pires da Silva – Esboço Histórico de Castelo Branco. Castelo Branco: 1979;

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2495

ROXO, António – Monografia de Castelo Branco. Elvas: Typographia Progresso, 1890.

Referências Documentais:

ANTT, Códices e documentos de proveniência desconhecida, n.º 159