Celeiro da Ordem de Cristo

NOTA ARTISTICA

O edifício, identificado como Celeiro da Ordem de Cristo, ergue-se numa praça que outrora foi o centro da cidade de Castelo Branco. De sobriedade arquitectónica, o edifício desenha-se através sob uma forma longitudinal. Toda a estrutura é bastante simples. As fachadas são rebocadas e pintada de branco, onde se destacam os cunhais almofadados. O edifício é constituído por dois pisos, sendo o piso inferior é composto por vãos gradeadas. A fachada voltada para a praça, ostenta dois relevos, uma cruz de Cristo e uma esfera armilar. Fachada voltada para oeste, detém um balcão e uma porta, onde esta colocada uma cruz de Cristo.

Data: Séc. XVI

Autor: s/n

NOTA HISTÓRICA

Originalmente, este edifício integrou o património da Ordem de Cristo e durante vários séculos foi utilizado como celeiro público.

A sua construção, tal como se observa pelas heráldicas colocadas nas fachadas, data do século XVI. Foi nesse período que o edifício adquiriu a configuração atual, tal como se depreende da leitura do Tombo da Ordem de Cristo (1505):

(…) em mais ha hordem na praça da dita villa hüua casa de çelero sobradada e bõa. e parte ao aguiam com ha dicta praça e ao abrego com casa e quintal d afonsso ferrnandez ouelhero e ao leuante com casas da hordem que traz mem gonçalluez tabeliãao. e ao ponente com Rua ppublica que se chama de santa maria has paredes tem de pedra e cal bem madeirada e cuberta de telha. E sobem pera ho sobrado per huua escaada de pedra de xv degraaos e no sobrado estam duas janellas d asentos com suas portas bõoas e tem dous esteos de pedra sobre que estaa madeirada./ leua de longo xij varas de medire oito de largo per baixo deste sobrado vay huua logea do tamanho delle com dous arcos de pedraria bem obrados sobre que estaa sobradado. e estam nella çinquo potes de teer vinho. sãaos e boons de xxv almudes cada huu pouco mais ou menos(…)

Num tombo do século XVIII, o edifício configurava-se através dois pisos com suas dependências. O edifício, através da sua natureza alberga um  armazém de azeite e adega e um tulha. A descrição permite perceber que os materiais utilizados detinham uma certa nobreza, porém, o principal era a função que desempenhava.

A partir de finais do Século XVIII e por estar junto dos antigos Paços do Concelho, passando esta instituição a ser gerir o espaço, já que os celeiros municipais faziam parte de uma das maiores atribuições camarárias.

Na segunda metade do século XIX, o celeiro passa a ser propriedade privada, ficando o piso superior reservado a prisão.

Referências Bibliográficas:

LEITE, Ana Cristina, Castelo Branco, Lisboa, 1991;

MARTINS, Anacleto, Portados Quinhentistas da Cidade de Castelo Branco, Castelo Branco, 1979;

PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, Beira – Vol III – Tomo II – Beira Baixa e Beira Alta, 2º edição, Lisboa, 1994;

SANTOS, Manuel Tavares, Castelo Branco na História e na Arte, Castelo Branco, 1958;

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2497

SILVEIRA, António, AZEVEDO, Leonel e D’OLIVEIRA, Pedro Quintela, O Programa POLIS em Castelo Branco – álbum histórico, Castelo Branco, 2003.

Referências Documentais:

ANTT, Ordem de Cristo/Convento de Tomar, 305

ANTT,  Mesa da Consciência e Ordens, Tombo da Ordem de Cristo, Liv. 143