Ermida de São Domingos

NOTA ARTÍSTICA

A capela que tem como orago São Domingos (a escultura do orago – séc. XVIII – encontrava neste espaço, encontra-se hoje na igreja matriz), encontra-se deslocada do centro da vila de Alcains, ocupando um espaço rural. Embora tenha tido uma fundação deste período parece pouco restar, devido sobretudo à sua requalificação do século XVIII.

A sua configuração apresenta claros contornos vernáculos, sobressaindo tão só nave e capela-mor, é verdadeiramente despojada de ornamentação no seu exterior, sobressaindo, na fachada principal, dois remates de grandes dimensões sobre os cunhais.

O seu interior, dando voz ao seu amplo despojamento, o único elemento que sobressai é o arco triunfal, onde apresenta contornos arcaizantes e que nos remetem para o final da Idade Média

O edifício que hoje se observa é uma construção com profundas intervenções e despojado totalmente do seu património.

Séc: XIII/ XVIII/XX

Autor:S/N

A capela de São Domingos, colocado num ermo junto da entrada para a vila de Alcains, foi edificado num espaço que era conhecido como Vale do Cabeço das Mós, onde comenda de Santa Maria de Alcains tinha uma granja ou terrenos de agricultura.

O local é mencionado no século XIII e posetiormente, em 1408, é dito que da granja faziam parte uma lameira, um conchouso (que é possivel designar por quintal) “em maneira de pomar” e uma horta, sendo o espaço, que servia de abastecimento.

No século XVI, quando o comendador de Alcains era o Frei Luís de Saldanha – A comenda dalcainz termo de castelo branco. comendador frey luis de Saldanha aualiada em centos quatro mil rs -, a capela e respetiva granja  são referidas no tombo da Ordem de Cristo, de 1505, onde se diz que existe (…) huua  hermida de sam domingos bem corregida de paredes, madeira e telha e junto della huuns grandes pardieiros que jaa em outro tempo foy grande edifício e estaa hi abaixo huua fonte e quatro pinheiros (…). O grande edifício que o documento fala, levou a Florentino Vicente Beirão a deduzir que se tratava de um espaço arquitetónico conventual, referindo mesmo que seria um complexo feminino devido ao topónimo Fonte das Freiras.

Como é possível entender pelo auto de 1505, a ermida continuava a ser bastante simples – paredes, madeira e telha – embora de boa execução ou bem corregida como o visitador faz questão de mencionar.

Em 2008 durante o apeamento do altar da capela-mor, isto no seguimento das obras de requalificação e conservação do espaço, foi possível detetar duas aras romanas votivas, o que de certo modo mostra uma ocupação ancestral do espaço e a prática de reaproveitamento de matéria prima de outros períodos.

Referências Bibliográficas:

ASSUNÇÃO, António; ENCARNAÇÃO, José d’; GUERRA, Amílcar, “Duas aras votivas romanas em Alcains”. Revista Portuguesa de Arqueologia, 2010, 177-189.

BEIRÃO, Florentino Vicente, História de Alcains, II. Coimbra: Alma Azul, 2004.

INFANTE, Cónego Franco, Património cultural de Alcains. Alcains: Matriz de Alcains, 1992.

ROQUE, José Sanches,  Alcains e a sua história. Castelo Branco: Tipografia Semedo, 1975.

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=12778

Referências Documentais:

ANTT, Ordem de Cristo/ Convento de Tomar, lv 305.

ANTT, Ordem de Cristo/ Convento de Tomar, maço 66, n.º 1.